As Revoltas do Novo Milênio

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As Revoltas do Novo Milênio

Mensagem por SolarisAdmin em Qua Nov 27, 2013 2:08 pm

Enquanto estava assistindo as notícias na minha televisão, hoje de manhã, percebo que novamente vinha como manchete: “em todas as luas, os atmorianos comemoram o aniversário do fim da revolta”.
Nunca fui muito interessada na história dos alienígenas, devo admitir. Mas de tanto a mídia extraterrestre insistir em passar suas informações em nossas naves, acabei caindo na tentação de procurar mais sobre o que era essa tal “Revolta do Novo Milênio”.
 
Como humana, a princípio, fiquei pasma em saber que milhares de pessoas morreram por causa da internet. Mas então me lembro que há um século, na terra, antes do êxodo, as pessoas brigavam entre si pelos direitos autorais, pelo controle de informação e pela liberdade digital. Não somos muito diferentes dos atmorianos. Podemos não ser nem um pouco parecidos com eles fisicamente, mas até um certo ponto, nossas mentes são iguais...
Afinal, quanto mais racional um ser vivo é, mais idiota ele se torna.
 
- Allany Lancier





Apenas mais um na multidão... pelo menos, era assim até o dia da Rebelião.




A história a ser contada abaixo ocorreu por volta dos anos de 2998 e 3005 A.E (1930 a 1937 D.C, no calendário humano).
 
Muito pode-se dizer sobre os atmorianos, e embora as opiniões possam divergir, é justo dizer que desde sempre, os alienígenas solarianos já possuíam uma tecnologia avançada.
 
Dizer que o desenvolvimento tecnológico humano é lento, por sua vez, seria uma mentira (e das grandes). O tempo que os humanos levaram para atingirem o estado de desenvolvimento que se encontram hoje consegue ser bem superior ao desenvolvimento (por muitos humanos, dito “lerdo”) dos atmorianos.
Mas que os humanos tinham uma tecnologia menos avançada em relação ao atmorianos (pelo menos, até meados do século XXII) é um fato inegável.
 
É tanto que, enquanto os humanos ainda estavam se deparando com os problemas causados pela queda da bolsa de valores de Nova York, os atmorianos estavam vivendo num barril de pólvora que por pouco não explodiu, tudo graças à sua interent.
 
Sim, a internet. Ou melhor dizendo, as internets...
 
Atmos possui 23 luas, das quais 18 são habitadas por seis espécies diferentes, cada uma com sua história, cultura e desenvolvimento tecnológico únicos.
Algumas dessas luas são colônias de outras; e outras, são nações totalmente independentes. É de se imaginar que alguma rede de contatos tenha sido feita para que houvesse comunicação entre as luas.
 
E de fato, isso aconteceu. Com o advento da era da informação atmoriana, uma “rede de computadores interlunar” foi criada, com o objetivo de estabelecer uma comunicação decente entre todas as luas. Mas, diferentemente do nosso planeta, que (para nossa sorte) teve apenas uma íntegra internet em toda sua história, os habitantes da luas de atmos não tiveram a mesma sorte.
Toda forma de comunicação (seja por via de rádios, televisões, computadores, etc.) era estabelecida por grandes empresas de comunicação, que, possuíam servidores próprios e uma internet própria.
 
E haviam oito dessas empresas...
 
Explicando em detalhes o que aconteceu: não havia apenas uma internet nas luas de Atmos, e sim, oito internet diferentes, com protocolos, servidores, sites e linhas de comunicação totalmente diferentes. Isto deve-se ao fato de que cada internet pertencia a uma corporação diferente, que, evidentemente, era rival das demais.
Pode não parecer muito problema, mas a questão é que um atmoriano que usasse a internet “x” não poderia acessar sites da internet “y”, ou mesmo manter contato com outro atmoriano que usasse a internet “y”.
O motivo? Monopólio. É óbvio, nenhuma empresa que ver a outra empresa rival tendo mais clientes, e provenientemente, ver estes clientes acessando a “internet inimiga”.
 
Enganam-se aqueles que acham que o consumismo e o corporativismo desenfreado é exclusividade humana...
 
Mas enganam-se também aqueles que pensam que a “falta de comunicação” era o maior dos problemas. Algumas das empresas de comunicação ainda usavam a estratégia de cobrar taxas especiais daqueles que desejavam acessar sites e computadores da internet de outras empresas.
Detalhe que é importante ressaltar é que a internet atmoriana sempre foi mais “dinâmica”. Não eram apenas computadores que eram conectados entre si. Celulares, redes de telefonia, televisões, rádios e aparelhos eletrônicos em geral possuíam também conexão a internet, e como era de se esperar, estas empresas de comunicação também controlavam os canais e os acessos a estes outros meios de comunicação.
 
Se nós, humanos, já ficamos “revoltados” com a censura (que, sejamos francos, nos dias atuais e na maior parte dos países, é pouca) imagine ficar proibido de acessar um site, ou falar com um amigo ou parente seu, pelo simples fato de que o mesmo é “incompatível com a sua internet assinada”.
Se isso parece frustrante, imagine para as nações, que estavam subordinadas as ordens das grandes corporações. Até que ponto o governante de uma nação pode aturar as ordens de uma empresa, sabendo que as colônias de sua nação estão passando por severas dificuldades, e que este não pode estabelecer contato com as mesmas só porque as colônias usam uma internet diferente da metrópole.
 
Já dizia o ditado, “quando os poderosos brigam, os fracos saem feridos”, mas nesse caso, até mesmo os “outros poderosos” acabavam saindo arranhados do combate pelo monopólio.
 
No entanto, sempre dá para piorar... sempre.
 
Pouco a pouco, após vários anos, alguns políticos passaram a se candidatar a cargos políticos, a serem contratados por líderes governamentais das repúblicas/reinos/impérios/confederações/uniões atmorianas e a financiarem eventos e projetos das nações das luas solarianas.
Enquanto bilhões eram dados dos chefes das empresas aos políticos, os mesmos políticos retribuíam o favor, fazendo com que a internet pertencente a tal empresa (que “doou” o dinheiro à nação) se tornasse o veículo de comunicação oficial do país.
Aqueles que tentavam usar outro tipo de internet tinham que pagar “impostos especiais” (que obviamente acabavam caindo nas mãos da corporação) ou pior, nem eram permitidos de usar a outra internet.
 
Imagine ficar sem poder conversar com sua pessoa amada, que há meses você não vê e que está trabalhando há milhares de quilômetros, n’outra lua.
Isso era o menor dos menores dos problemas que um “típico atmoriano” vivia.
 
Exploradores e colonos poderiam morrer em luas ou asteróides porque uma comunicação não foi estabelecida com uma metrópole e o carregamento de suprimentos mandados foi enviado para outro local (e, só para salientar, este tipo de “erro de comunicação” foi MUITO comum nessa época)
Ações e investimentos de grupos mercantis simplesmente não podiam ser feitos com outros grupos devido ao “bloqueio de informação”. O mercado de muitas luas simplesmente “parou” graças ao monopólio das internets.
 
Mas essa não foi a gota d’água.
 
 
Foi em Ylaen, no ano de 2998 A.E que nossa história realmente começa...   




E os protestos começaram...



Protestos para tentarem “derrubar” o monopólio das empresas de comunicação nas luas de atmos era algo relativamente comum, principalmente entre os Telannar.
Três das oito empresas de comunicação eram telannárias, e, ironicamente, a raça de Ëa era a que mais sofria com a “briga pelo monopólio”.
Num fatídico dia (o primeiro dia do sexto mês no calendário atmoriano), no que parecia ser um protesto comum à frente do prédio da Corporação Hakso (uma das 8 empresas de comunicação), acabou se tornando uma verdadeira tragédia, marcado pelo sangue dos protestantes.
 
Naquele dia, os guardas da empresa revidaram com força total contra os protestantes, usando equipamentos de potencial fatal, e que, infelizmente, acabou resultando na morte de 18 dos 200 protestantes.
Ankais (a cidade de Ylaen onde aconteceu o protesto) se manteve num silêncio mórbido em luto a morte dos 18 jovens, cuja vida foi tirada injustamente.
 
E esta foi a gota d’água para os atmorianos.
 
Com o martírio dos 18 jovens, uma onda de violentos protestos começou em todas as luas atmorianas, e este foi o começo das “rebeliões do novo milênio”.
 
Sem dúvida, não há maneira mais icônica de marcar a passagem de um milênio do que ver os habitantes de 18 luas fervendo de fúria, quebrando, roubando, depredando, destruindo todo o patrimônio das 8 empresas de comunicação.
 
Mas é claro que as corporações não iam calar-se ao ver tamanho estrago ser feito...
 
Todas as empresas começaram a revidar em massa contra os protestantes. O uso de armas de potencial mortífero não foi poupado contra os revoltosos... e o mesmo podia-se dizer daqueles que protestavam.
Foi a primeira vez que hologramas, filamentos de plasma e equipamentos de pulso-repulsão foram usados em táticas militares. Foi pela primeira vez, também, que nações inteiras declararam estado de sítio (ou decretaram lei marcial) na tentativa de conter uma onda massiva de protestos.
 
As corporações eram culpadas? Sem sombra de dúvida. Mas deixando de lado a carga emocional, podia-se perceber que os protestantes eram tão culpados quanto. Nos três primeiros anos, quase nenhum deles teve a atitude de conversar civilizadamente com um dos corporativistas. A depredação era ferrenha por parte dos revoltosos.
Cidades inteira foram pichadas, quebradas e sitiadas por aqueles que se diziam “proclamadores da liberdade”.
E assim foi, por 7 longos anos, 7 anos de revolução, e de ambos os lados, haviam morrido 2 milhões de atmorianos.
 
Mas eis uma pergunta que não quer calar: onde isso foi parar?
 
Finalmente, em 3005, as revoluções acabaram. Mas seria uma mentira se fosse dito que estas revoltas tiveram um fim de uma maneira... “pacífica”.
 
Os grandes CEO’s das empresas foram assassinados nas mãos dos próprios protestantes, e como se não bastasse, um atentado terrorista em massa foi feito nos servidores físicos das empresas de comunicação, dando um Blackout geral que deixou as luas de Atmos sem conexão com a internet por 10 anos.

Nesse meio tempo, as velhas estações de rádio, assim como as antiquadas antenas de broadcasting, outrora usadas para comunicação intralunar, foram reutilizadas para a comunicação entre as luas atmorianas, que durante uma década, viveu no silêncio...



Quase um sexto da Cidade de Ankais teve que ser reconstruída após os protestos




Ankais, onde toda a revolução começou, agora lamenta pela morte dos seus protestantes.
É tanto que, hoje, na cidade, localiza-se um grande memorial (uma enorme espada, de 40 metros de altura, de ferro maciço, com o nome dos 100 mil ylaenos que morreram nos 7 anos de rebelião) em homenagem àqueles que lutaram pelos direitos de todos os atmorianos (mesmo que esses extrapolassem as vezes...)
 
 
Mas enfim, os dez anos se passaram, e por fim, alguém teve que tomar alguma iniciativa...
 
Após 10 anos estudando e aprendendo com os próprios erros, os governos atmorianos se uniram para recriarem a internet das luas, e dessa vez, uma internet que qualquer um pudesse acessar.
E assim foi criada a Cybernet. A maior e mais ambiciosa rede de computadores que já existira nas luas de Solaris.
 
O que dizer sobre a Cybernet? Bom, usando o velho material (servidores, cabos, conectores, etc.) das antigas internets, adaptando-as, melhorando-as e adicionando novos componentes (melhores e mais modernos), os governos atmorianos criaram um sistema de conexão integrada que conecta todos os computadores de Atmos, e não só os computadores...
As velhas internets das empresas de comunicação já conseguiam conectar televisores a computadores e computadores a rádios, mas a cybernet conseguiu muito mais do que isso. A “neo-internet” conseguia conectar-se a sistemas elétricos, a aparelhos domésticos, a máquinas... enfim, a nova rede mundial de computadores conseguiu conectar tudo a todos.
 
Parece que as vitórias foram finalmente alcançadas. O mártir de dois milhões não foi em vão, já que finalmente os atmorianos podiam ver-se livres da prisão e da censura...
 
Mas até que ponto a liberdade realmente nos faz livres?
 

Até que ponto realmente estamos conectados?

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