O Êxodo

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O Êxodo

Mensagem por SolarisAdmin em Seg Nov 25, 2013 3:21 pm

“Não me pergunte por que nós estamos aqui, nem o que estamos fazendo tão longe de nossa casa. Somos estranhos imigrantes, vindos de muito longe. Há muito deixamos nossa terra natal para pular de cara no abismo do universo. Agora, cá estamos nós, encarando as conseqüências do desconhecido”

- General Diniz DeVatt


Deixe-me contar uma pequena história...

Há dezenas de milhares de anos, num planeta bem distante de nossas luas, uma raça alienígena começou a evoluir numa velocidade assustadoramente rápida. Há poucos eles haviam adquirido sapiência, deixando de lado a aparência bestial de seus ancestrais comuns.
Em um milênio, esta raça já havia erguido poderosas nações, manipulado a natureza e desenvolvido a roda, o ferro e a escrita
N’outro milênio, grandes profetas caminharam pelo chão desse planeta, grandes impérios foram construídos e grandes batalhas foram travadas entre seus povos
No milênio adiante deste, a arte e a ciência avançou tão rápido quanto um raio cadente. Em tão pouco tempo, o planeta se viu diante de duas revoluções industriais e uma tecno-científica.

Este planeta se chama Terra e seus habitantes chamam a si mesmos de Humanos.

Invejo os humanos por sua perseverança, no entanto foi graças à sua persistência que muitos de seus pecados foram cometidos, e agora eles estão pagando caro pelo os erros de seus antepassados.
Se quiser culpar alguém por eles estarem aqui, culpe seus ancestrais, que sujaram a terra e a história desse povo, forçando-os a deixar sua terra natal.

No mais, tenho apenas certeza que: se isso é algum tipo de justiça divina feita pela deidade dos humanos, devo concluir que seus deuses são bem vingativos...

- Almirante Jayel L’aqqosh



Terra - Itália, Cidade de Florença - Século XXII

Num mundo distante, à milhões de quilômetros de casa, vivem os primeiros colonos extrassolares humanos, nascidos fora da terra, criados no vazio do espaço. Muitos não escolheram abandonar sua casa para se jogar de cabeça no desconhecido do universo, mas muitos não tiveram outra oportunidade...


No ano de 2039, a humanidade se viu cara a cara no que parecia ser o início de seu apogeu máximo. Nesse ano, a medicina deu um salto gigantesco com a invenção da Terapia Bio-Molecular (TeBiMo).
Em suma, este tipo de terapia bioquímica é capaz de tratar e curar pacientes afetados por doenças genéticas e doenças de caráter “mutacional” (como tumores e cânceres). Como conseqüência, foi no ano de 2039 que a cura de centenas de doenças genéticas foi descoberta, assim como a cura total do câncer (sem o uso de tratamentos envolvendo químio ou radioterapias)  

No ano de 2047, com os avanços constantes na terapia bio-molecular, tornou-se possível a criação de um método cirúrgico revolucionário, conhecido como “Operação Celular”, um processo no qual células isoladas (assim como conjuntos de células e tecidos corporais) passam por uma cirurgia, que permite organizar, reparar e inserir organelas na célula, ou ainda reparar e repor células (e tecidos) destruídos.
Como conseqüência, a cura traumas físicos como paraplegia e tetraplegia foi descoberta, assim como a cura definitiva de doenças degenerativas como Alzheimer.

Por volta do ano de 2050, outro avanço ferrenho surgiu à humanidade no quesito econômico com o advento da “União das Nações”, um acordo internacional responsável pela a unificação (e em alguns casos, divisão) de várias nações diferentes em acordos democráticos, visando o desenvolvimento econômico, político e social como um todo.
Assim, diversas nações que sofriam com pobreza extrema e com constantes crises políticas tiveram seus problemas drasticamente reduzidos após o tratado de 2050.

Apesar de muitos problemas resolvidos, muitos outros começaram a surgir com o tempo...

Por volta do ano de 2068, a humanidade começou a passar por uma crise que há muito não enfrentava: superpopulação.
Mesmo com uma taxa de natalidade quase nula (ou menos negativa), muitos países começaram a sofrer com problemas de superlotação de cidades devido aos avanços na qualidade de vida e na saúde.
Com uma medicina tão avançada e com uma economia ímpar, a qualidade de vida de muitas pessoas melhorou, e nisso, a expectativa de vida de muitas pessoas também aumentou. Com muita gente viva e pouca gente morta, o “controle populacional natural” foi totalmente quebrado, fazendo com que muitas pessoas não tivessem mais um local onde morar. O problema poderia ter sido resolvido com a colonização de astros vizinhos, como a Lua e Marte, mas a condição de vida nesses planetas é muito precária para uma colonização em massa...
Nisso, no ano de 2083, a humanidade se viu diante dos assustadores números: a terra tinha uma população de 10 bilhões de habitantes, onde um décimo dessa população não tinha uma moradia descente para viver.

Como se não bastasse, uma crise energética começou a assolar a terra, devido ao simples fato que bilhões pessoas estavam usando milhões de aparelhos eletrônicos ao mesmo tempo, e a energia produzida não dava conta da demanda.
Racionamento de energia, apagões constantes e crises internacionais começaram a surgir num mundo que há tão pouco tempo estava em sua era de ouro.
Por um lado, as pessoas não morriam mais de câncer, aids, doenças genéticas... por outro, essas mesmas pessoas tinha que ser forçadas a viver em cubículos minúsculos, pequenos apartamentos e vivendas grupais. Residências que outrora recebiam o nome de “casa” .


No entanto, uma luz no fim do túnel surgiu para a humanidade...

Nesse meio tempo, centenas de sondas espaciais foram lançadas ao longo do sistema solar. Colônias humanas foram estabelecidas na Lua e em Marte, e a tecnologia das naves espaciais humanas foi melhorada consideravelmente, aumentando sua velocidade e resistência a danos.

Por volta do ano de 2080 (três anos antes do ápice da crise energética e populacional), uma das mais importantes sondas espaciais, conhecida como Starflight V, simplesmente desapareceu nos arredores do sistema solar após entrar em contato com um “corpo estranho”.
Quase cinco anos depois, chegam à Terra sinais da Starflight V, e para surpresa dos astrônomos, a sonda estava operando normalmente.
Mas a surpresa maior foi o que veio após a re-descoberta da sonda: ela tinha parado em outro sistema solar, um sistema solar localizado a cerca de 4,5 anos luz da terra, e para a surpresa maior: havia vida extraterrestre nesse sistema solar.

Pelo visto, a humanidade havia encontrado um possível refúgio no qual eles poderiam ir.
E foi dito e feito.

Por volta do ano de 2089, várias sondas e naves batedoras foram enviadas para esse novo sistema solar (batizado pelos humanos de Solaris). Desde então, vários eventos transcorreram ao longo do tempo, como o Primeiro Contato (o primeiro encontro entre os humanos e as demais raças alienígenas) e a Primeira Colônia (o primeiro assentamento humanos nas luas do gigante gasoso)
Tudo isso foi possível devido ao simples fato de que um buraco de verme (em termos leigos, um “túnel” no espaço capaz de transportar corpos numa velocidade mais rápida que a luz) foi encontrado nos arredores do sistema, e este foi o responsável pelo suposto “desaparecimento” da sonda Starflight V

Ninguém sabe ao certo como esse buraco de verme surgiu, mas esse suposto “portal” que ligou o sistema solar humano a Solaris serviu como uma ponte entre os dois mundos, conectando a Terra ao gigante gasoso.
Após momentos de paz e conflitos, no ano de 2090, foi assinado um tratado entre os governos terrenos e as nações solarianas, que permitiu a vinda (e colonização) dos humanos no sistema solar alienígena. Esse evento ficou conhecido como “O Pacto das Estrelas”

E foi assim que, no mesmo ano, começou projeto mais ambicioso da humanidade em séculos: O Êxodo


As Gigantes Naves, deixando sua terra natal.

E êxodo foi um projeto financiado e feito por dezenas de nações humanas, com o objetivo de construir sete gigantescas espaçonaves, que seriam responsáveis pelo transporte dos milhões de humanos que estavam dispostos a deixar a terra e ingressar no novo mundo que lhes foi apresentado.

A construção das naves levou 6, com milhões de pessoas trabalhando na manufatura das naves (estima-se que em cada nave, no mínimo, haviam dois milhões de trabalhadores).
Foi então no dia 25 de março de 2096 que a construção das sete naves (Leviathan, Gilgamesh, Iskandar, Behemoth, Tarrasque, Ishtar e Babel) foi concluída, e no início do ano seguinte, quando as naves deixaram a terra, em rumo a Solaris.

Cinco meses se passaram, e após uma longa viagem entre os sistemas, as sete colossais naves chegaram a Solaris, levando consigo uma população 5 milhões humanos.
A função dessas naves seria como servir de “ônibus interestelar”. Usando o buraco de verme como ponte, as sete espaçonaves ficariam viajando constantemente entre as luas de Atmos e Terra, trazendo humanos para o sistema.
Para manter os dois buracos de verme que ligavam os dois sistemas solares estáveis, foram criadas duas grandes estruturas metálicas, similares a arcos, conhecidos como “Himmelstor”. Usando física quântica e uma engenharia bilionária, foi possível manter “a ponte” entre o gigante gasoso e o planeta humano funcionando por longos 25 anos

Mas essa ponte logo se partiu.

Após constantes viagens das naves entre os sistemas, levando consigo mais e mais humanos para solaris, uma desastrosa catástrofe ocorre: o Himmelstor da terra é destruído, fechando o buraco de verme da Terra, e consequentemente, o buraco de Solaris  
Para a sorte dos humanos, nenhuma nave estava percorrendo “a ponte” quando o Himmelstor da Terra foi destruído, mas para o azar da humanidade, a nave Babel (que estava se dirigindo ao buraco de verme quando o arco foi destruído) não chegou a tempo antes da catástrofe, ficando isolada das demais naves no sistema solar terráquio.

A única ponte que ligava os dois mundos se quebrou, e desde esse dia, cerca de 50 milhões de humanos (toda a população humana em solaris) ficaram “encalhados” no sistema solar alienígena. Alguns decidiram viver entre os atmorianos, pelas luas, como estrangeiros num país distante, mas muitos escolheram por ficar vivendo nas 6 colossais naves.
As naves humanas, que outrora serviram como transportadoras, agora servem como a casa de milhões de homens e mulheres. Cada nave passou a se tornar uma “nação” própria, com seus costumes, culturas e leis, porém, todas unidas pela mesma raça.

O ano atual em que se passa o RPG é 2196 D.C, um século após O Êxodo. Desde o dia que o Himmelstor foi destruído, nenhum humano retornou à Terra, assim como nenhum humano deixou-a mais.
Os anos passaram e novas gerações surgiram. Os humanos mais jovem já se parecem mais atmorianos (em seu costume) do que as gerações mais velhas, feitas por pessoas que eram filhas e netas dos humanos da Terra, daqueles que deixaram sua terra natal apostando tudo no desconhecido.

Agora, a única forma de contato entre os humanos de Terra e de Solaris é por uma série de gigantescos aparelhos conhecidos como Canhões de Táquions.
Construídos um em cada nave, 25 anos após O Dia da Catástrofe (nome dado ao evento da destruição do Himmelstor da Terra), os Canhões de Táquions são máquinas gigantescas, capazes de enviar, por meio de aceleradores de partículas, partículas subatômicas conhecidas como “táquions”, que são partículas capazes de viajar mais rápido que a luz.
Dessa forma, os humanos conseguem manter uma comunicação decente com as nações da Terra pelo envio dessas partículas, já que usando métodos tradicionais, demorariam quatro anos e meio para que uma mensagem fosse enviada à terra por meio de transmissão de ondas de rádio (ou qualquer outro tipo de radiação eletromagnética).

Em Solaris, os humanos são como estrangeiros; imigrantes que deixaram sua terra natal há muito tempo e que agora vivem entre dois mundos: a esperança de uma vida melhor num mundo estranho e o sonho antigo de retornar para casa.

Mas claro, quem ainda guarda seus sonhos nos erros dos antepassados, não vê os caminhos do futuro...

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